Nas primeiras páginas, eu me surpreendi ao ver que a Vanessa Bosso é uma escritora de literatura fantástica e...er... não leio muito esse gênero. E, francamente, eu posso ser bastante alienado, mas já sabia disso pelas resenhas dos outros livros dela, todos fantásticos. Porém, foi justamente por isso que vi em "Senhor do Amanhã" algo diferente. Um livro falando sobre conspirações, com agentes do FBI, jornalistas, sociedades secretas e domínio de poder. Bom, me pareceu bom. Tão bom que tive que ganhar o concurso cultural sem ajuda do F.Harquimedes! Rá! no blog da Nanie que valia o livro tão desejado.
O livro foi decepcionante.
Sério, pela sinopse e tudo o que ela evoca, eu imaginei uma trama ligeiramente diferente. Na verdade, a trama que eu queria ler está em Senhor do Amanhã, mas acho que a escrita "esquisita" tirou um pouco do suspense e tensão que eu imaginava encontrar.
De cara você já vê que é um livro escrito de forma fora do normal: muitos diálogos. MUITOS MESMO. Do tipo que enche duas páginas inteiras. E, por isso, as descrições e outros detalhes foram raros. Não que seja ruim fugir do padrão, mas é um risco a correr. Tem que ter equilíbrio aí. Senti falta de detalhes. Foi a narrativa mais ágil que já vi NA VIDA.
O tema do livro é interessantíssimo. Vanessa Bosso se baseou em fatos (sinistros) reais para bolar suas conspirações e levar adiante teorias que, de fato, já estão espalhadas pela internet. É impossível que você não fique curioso para pesquisar coisas no Google. TEM CADA COISA! Mais alguém sabia desse monumento medonho na Geórgia? E a nota do dólar que é um poço de simbolismo dos Illuminati?
Essas teorias que aparecem a todo momento no livro foram o que me fizeram continuar. Pura curiosidade em saber como a Nova Ordem Mundial iria se estabelecer, onde os protagonistas entram nesse meio e, obviamente, como tudo ia acabar.
Bom, a decepção é que o livro foi MUITO superficial. Por um momento, cheguei a pensar que fosse o primeiro de uma série, porque as páginas estavam acabando e nada indicava que o fim estava próximo. Só para vocês terem noção, passam-se QUINZE anos no decorrer da trama. Pelo excesso de diálogos, os personagens ficaram descaracterizados (salvando um ou outro), um monte de gente igual com nome diferente. Até os diálogos são cansativos porque os protagonistas (principalmente) fazem perguntas óbvias ou que já foram respondidas anteriormente.
Quando a profecia bíblica da marca da besta entrou na história eu cheguei a me animar (Vocês sabem que Deixados para Trás é uma das minhas séries favoritas e etc), só pra me irritar depois. Só PARTE da profecia é usada, a marca, e achei isso desnecessário. Se era pra pegar só metade, era melhor não ter pego. Cadê o arrebatamento dos salvos? E as pragas? E todo o resto?
O livro soa mais como um documentário porque tudo passa muito rápido. A cada capítulo, o mal dá mais um passo pra dominar o mundo mas as consequências desse passo não são detalhadas. Cadê as guerras políticas? E a crise na economia? Um cara chega DO NADA pra tentar dominar o mundo e ninguém reage? Nenhuma resistência dos governantes dos outros países? Foi inevitável comparar com DpT, que tem DOZE livros detalhando os passos do Anticristo para o domínio do mundo.
Por fim, vi alguns furos. Se tem uma coisa que me desanima legal são furos na trama (e básicos). E os clichês onde não deveriam existir. Sério, gente, não dá pra contar tudo aqui na resenha, não engoli muita coisa do livro, mas os protagonistas foram bem tapados às vezes. E INFANTIS! Que raiva dos dois.
Acho que o pior momento foi perto do final quando, depois de uma LONGA conversa em que um personagem explica aos protagonistas os planos das trevas, eles se perguntam: "O que eles estão tramando?", "Não faço ideia". COMO NÃO FAZ IDEIA, JACK? VOCÊ ESTAVA LÁ OUVINDO TUDO! EU VOLTEI NA PÁGINA SÓ PRA TER CERTEZA DE QUE VOCÊS DOIS ESTAVAM LÁ E ESTAVAM! Meu deus, muito tapados. Se fizeram de surdos, só pode.
Tudo foi corrido. A trama é realmente boa mas acho que foi mal desenvolvida. Quer dizer, foi mal desenvolvida, só rolou pelos tópicos. Acho que Senhor do Amanhã merecia uma série para poder detalhar mais coisas e se aprofundar nos personagens.
Não recomendo. E, pra mim, era o livro mais promissor da autora então... :-/
PS (COM SPOILERS): Mas ainda teve a gota d'água. Depois da história terminada, a autora entra com uma nota: "Se Jack e Helena fossem pessoas reais eles teriam fracassado". Que DESANIMADOR! Poxa, quebrou totalmente a construção dos personagens. Chamou de falso tudo o que os personagens transmitiram durante todo o livro (Ok, nem foi muita coisa mas...)
Passo 5/5
Parabéns por ter chegado até aqui \o/




10 comentários:
Eu sei que a Nanie é fã dessa autora e já vi algumas resenhas dos livros dela, mas... Nunca tive vontade de ler. O que não é nenhuma novidade, considerando que eu não gosto de literatura fantástica e que tenho evitado autores nacionais que não conheço.
Já li algo sobre essas teorias da conspiração. Não conhecia esse monumento, mas... Achei mais engraçado do que medonho. Ok, super parece "coisa do anticristo", só que a Bíblia já previu isso há muito mais tempo. Já li uma série que fala um pouco dessas conspirações. É meio DpT, mas só tem 3 ebooks. Se não me engano, é Arquivo 7. Tem umas curiosidades legais, mas a história é fraca. O Tim Lahaye tem mais duas séries sobre o fim do mundo, uma começa com A Profecia da Babilônia e a outra com À Beira do Apocalipse (que eu comprei ontem, por menos da metade do preço normal). Tem também O Agente, do Jerry Jenkins, mas essa você já conhece, né?
COMO ASSIM a própria autora diz que os personagens teriam fracassado? :-O
A da nota de um dólar eu sabia \o/. Como assim esse ps??? É jogar toda a leitura por água abaixo!
Nunca tive vontade de ler a autora, incluindo esse livro...
Sobre a parte dos símbolos e teorias, fiquei com a impressão de que ela meio que fez o que o Dan Brown faz também (pelo menos nos dois livros dele que li - "Anjos e Demônios" e "O Código da Vinci"), mas sei lá...
Nossa, esse diálogo do "não faço ideia" foi muito feio, assim como a nota no PS: fiquei com vergonha :P
O que eu acho que é esses autores publicam os livros com o texto ainda cru demais. Não sei o que acontece com o nosso mercado editorial, por quê essa pressa louca de publicar, enfim... como não conheço a história da publicação desse livro não vou julgar, mas de maneira geral, me parece que falta a mão de um bom editor, que diga o que o autor não quer ouvir, para que o texto melhore.
E como comentávamos ontem, a gente acaba voltando pra literatura estrangeira porque ela já passou por vários filtros até chegar às nossas mãos. O risco de pegar um livro mal estruturado é menor.
De todo jeito, a temática do livro não me interessou. Acho que não leria, mesmo se você dissesse que gostou...
Que pena que não rolou para vc. Mas valeu mesmo por não ter abandonado!! Bjo
Conheci através da Nanie também. A propósito, é o favorito da Nanie dentre os livros da Vanessa Bosso. Nem passou pela minha cabeça que esse livro faz parte da literatura fantástica mas nem tanto assim. A única coisa que tem de fantástico é o "anticristo", os poderes das trevas e tal.
Se você olhar para o monumento através de uma ótica menos conspiratória, ele soa até benigno. Preservar o planeta, respeitar as pessoas, garantir a segurança e etc. Pra mim o mais bizarro foi alguém com pseudônimo ser o responsável pela construção do monumento (Que é um baita elegante branco) e supostamente estar ligado à Rosa Cruz.
Gente, esse homem só quer saber de fim do mundo!
Eu realmente não entendi bem o que ela quis dizer com essa nota. Não sei se era pra gente desacreditar no poder do amor ou nos personagens ou na facilidade com que derrubaram a Nova Ordem Mundial. Sinceramente não sei.
Eu sabia que o dólar é cheio de simbolismo oculto, vi num dvd sobre os Illuminati, só não lembrava dos detalhes. E são MUITOS! Nem são tão ocultos assim.
A nota foi desanimadora mesmo :-/
Humn... A estratégia é bem parecida: Pegar teorias reais e misturar com ficção. Só que Senhor do Amanhã pende mais para o lado sobrenatural e a trama é BEM MAIS simples que o ninho de rato que são os livros do Dan Brown.
Esse diálogo me deixou com muita raiva isso sim. Foi um mega furo --'
Também acho, Lilian. A maioria dos livros que nacionais que li eram ralos, crus, sei lá. Não que a história fosse ruim, mas a escrita é diferente, mais pobre, não sei explicar. Pra falar a verdade, o único nacional que li e realmente gostei foi "A Batalha do Apocalipse" do Eduardo Spohr.
Às vezes é falta de qualquer um dar um feedback positivo. Não que as pessoas estejam mentindo para agradar o autor nacional mas as resenhas que li desse livro não comentam nenhum defeito, só dão as 5 estrelas e pronto. Às vezes até dão 3 estrelas mas não comentam o motivo, não detalham a opinião. Acho importante explicar o porquê de não ter gostado de um livro.
Concordo. Acho que há livros com muito potencial, que se fossem trabalhados por mais tempo, sem tanta pressa pra publicar, dariam obras excelentes. E eu acho mesmo que a maioria dos leitores não tem base pra perceber os defeitos de um livro. Por isso não dizem. Tem um certo medo nisso, também, mas creio que muitos não conseguem perceber o que está errado. E sou a favor de, mesmo não gostando, dizer o motivo. Se ninguém disser pro autor o que não ficou tão legal, não tem como ele saber, né...
2012/8/3 Disqus
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