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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Livro Perfeito #1: Tão Ontem

Tão Ontem é (ou será), provavelmente, o YA mais interessante que você leu (ou lerá) na vida. COM CERTEZA. A menos que você encontre a história da origem da cor roxa em algum outro lugar. Ou um autor de YAs resolva te contar sobre a pirâmide maluca da moda. Ou, quem sabe, no meio de um romance sobrenatural duvidoso você descubra o nome do primeiro cara a botar um sorvete numa casquinha. Rá! Isso NUNCA vai acontecer, convenhamos. Só em Tão Ontem.



Apesar de não estar mais com o título de "Livro favorito de todos os tempos do Felipe", Tão Ontem É um livro perfeito porque 1) deixou uma marca VÁRIAS marcas em mim 2) Foi um dos primeiros livros que li quando me tornei um leitor constante 3) já reli 2 vezes 4) tem a capa mais legal do mundo 5) me fez reparar nos EFMN (Esquema Falta Mulher Negra) 6) Meu deus! Acabei de abrir o livro aleatoriamente e caí na página que conta a história das gravatas o.O

Tão Ontem é assim. Se você não gostar da escrita do Scott Westerfeld, achar o livro muito parado vá se tratar e não for com a cara de nenhum dos personagens você gosta de gente? PELO MENOS vai sair com uma bagagem pra vida toda. Talvez querendo arriscar mais na vida. Ou fazer piadinhas sobre o governo secreto de Chinatown.

É um livro que quando você termina, é NECESSÁRIO emprestar para seus amigos para que eles entendam as piadas cults que você está louco pra fazer ou entendam o final do livro para te explicarem depois!

Suspeito que quem ficou maravilhado com a "genialidade"* da série Feios, vá ficar mais sem palavras do que o Rodrigo Santoro no filme das panteras**. Tão Ontem é cheio de curiosidades, piadas internas que nos acompanham por toda a história e conta com os personagens mais bem aproveitados de todos os tempos.
* Sim, a ideia de Feios é genial mas ô livro chato!
** Piada by @danilo_sanches

Sei que se eu for reler esse livro por uma 3º vez, o encanto não será o mesmo. Eu cresci desde as primeiras vezes que li e YA nunca foi a minha praia. Pode não ser a sua também. Mesmo assim Tão Ontem SEMPRE passará a imagem de Livro Perfeito pra mim, porque só eu sei o quão SURTADO já fiquei com ele e... Gente, francamente, OLHA ESSA CAPA! *-*



Atenção: Nossa amizade ficará terrivelmente abalada caso você demonstre qualquer sentimento negativo em relação a esse LIVRO PERFEITO :P


PS: A ordem dos posts dessa série não reflete a ordem de perfeição que os livros representam pra mim. Escrevo quando tenho vontade, em uma desordem completamente inexplicável. Vamos conviver com isso.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Em tua presença



Meio que hesitando, eu coloquei o cd pra tocar às 7 da manhã, baixinho, só pra mim, para que nenhum vizinho viesse a se incomodar. Pulei as primeiras faixas conscientemente, procurando aquela música que tinha um violão (?) muito gostoso no início.

"Eu quero estar nesse lugar onde o pecado é perdoado e as culpas são levadas..."
"Eu quero estar nesse lugar onde o amor não se esfrie e o fogo não se apague"

Meu deus, acho que nunca chorei tanto. Nada daquela lagrimazinha de canto de olho ou aquela comoção no coração que lava a alma, foi mais uma enchente devastadora. Chorei de soluçar.

"Em tua presença, Senhor, Jesus..."

A música falava de um lugar que eu com certeza conhecia, mas por alguma razão havia saído dele e não sabia mais como voltar. Se você está lendo esse texto, deve saber do que eu estou falando. Aquele lugar onde você não precisa de barreiras, onde o seu coração não precisa de proteção, onde os rótulos caem e qualquer acusação contra você já não existe mais, é coisa do passado.

"Eu quero estar nesse lugar onde o poder não me corrompa, riquezas não me ceguem"
"Eu quero estar nesse lugar onde o mundo não me alcance, paixões não me seduzam"


E eu sabia que estava chorando de saudade. Aquela vontade louca de voltar e não saber como. Mais ainda de saber o porquê de ter saído desse lugar se tudo nele vai tão bem.
O choro era de uma pessoa que está morta e quer viver, de alguém que está cheio de problemas pra resolver, do qual a vida é uma correria e a qualquer momento tudo vai desmoronar. Eu amo músicas que falem desse lugar, PORQUE ELE REALMENTE É BOM!

Pra completar, a canção ainda ME DISSE que "Existem algumas pessoas, tanto que estão aqui quanto que estão em casa... Um dia você cantou uma canção de amor a Jesus com todo o seu coração, um dia você amou a Jesus (...) com toda a intensidade do seu ser. Mas você se cansou pelas circunstâncias, você se cansou de lutar contra a frieza geral (...) Mas o Espírito de Deus quer queimar o seu coração novamente e te trazer uma nova canção".

Foi isso mesmo, foi a frieza geral. Quando você entra nesse lugar de descanso tem que fazer o possível e impossível para permanecer nele. Me deixei realmente levar pela preguiça, pelo engano, pelas mentiras, pelos compromissos diários, pela correria desenfreada... E só de pensar que a maioria das pessoas está fora desse lugar, tendo que enfrentar sozinhos seus problemas, seus medos já dá uma agonia. Eu convivo com essas pessoas, os problemas estão todos ali, no trem, nos ônibus, nos corredores da faculdade, nas salas de reunião do meu trabalho. E se eu me deixar levar pela desesperança que uma vida fora desse lugar vive, por essa frieza geral, eu acabo saindo também! E aí recebo tudo de volta: Meus medos, minhas correntes, meus erros, meus rótulos indesejáveis. E PRA QUÊ QUERO ISSO, MEU DEUS?

Pra nada. CHEGA. Eu quero permanecer pra sempre nesse lugar!  EU AMO ESSE LUGAR. Ainda que me achem um louco, tô nem aí, É AQUI QUE QUERO ESTAR.

"Em tua presença, Senhor, Jesus..."

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jane Austen Subestimada

Eu já tinha me conformado que os livros da garota do interior da Inglaterra tratavam sempre da mesma coisa (bailes e casamentos) e na mesma intensidade. Aquela protagonista engraçadinha, o mocinho misterioso e assim a vida segue. As histórias que acontecem muito mais no campo dos sentimentos, nos jogos de palavras do que no mundo das ações. Uma fofoquinha aqui, uma intrigazinha ali, passeios, festas, etc e fim. E isso por ter lido um livro só
Patético, eu sei.

Mesmo assim, aceitava a Jane do jeito que ela era. Algo do tipo "Tadinha, é uma escritora de clássicos, naquela época os livros deveriam ser todos assim", "Ela não tinha muito mais do que falar", "Os livros de hoje em dia têm formatos muito mais mirabolantes". Ainda bem que nossa vida é uma caixinha de surpresas e Jane Austen é uma LINDA!



Meu primeiro susto foi com "Lady Susan", uma novela (maior que um conto, menor que um livro) inédita em português. No momento, acredito que só a edição ryca de "Persuasão" da editora Zahar possua essa novela.
"Lady Susan" é todo escrito em formato de cartas (E eu achando que isso era novidade!), mas além disso a trama é muito gostosa! A protagonista é uma mulher linda, influente e... MÁ! Vocês PRECISAM ler! Lady Susan é a Paola Bracho de séculos atrás. Além de abalar um casamento flertando com o marido alheio, a megera ainda faz de tudo para se ver longe da filha e causar a maior confusão na casa dos parentes. IMPERDÍVEL! Nunca li cartas tão cheias de fofocas, reclamações, revelações e risadas maléficas implícitas! MUAHAHAH


É a cara da Lady Susan falar uma coisa dessas! kkkkkkk

"A Abadia de Northanger" trouxe a segunda surpresa. Nesse livro Jane Austen está completamente livre, leve, solta, pronta para fazer piadas e bater papo com o leitor. Talvez o único da autora que usa o recurso da metalinguagem, o livro é uma paródia (e até uma homenagem) dos romances góticos da época. GENIAL! O tempo todo Austen brinca com analogias, comparando as heroínas lindas e maravilhosas dos livros góticos com a sua desafortunada protagonista, Catherine. "Se fosse num romance gótico normal a heroína seria bonita, mas a minha não, a minha é feia mesmo". Não disse com essas palavras mas a coisa é bem assim!



"- Catherine está quase bonita hoje.
Estar quase bonita é uma conquista do mais alto deleite para uma garota que teve aparência desgraciosa durante os primeiros quinze anos de vida; uma menina que é beldade desde o berço jamais terá o mesmo regozijo"
Pág 19



Catherine é viciada em romances e sua imaginação a leva a ter ideias das mais loucas, enxergando mistérios obscuros em todo canto, principalmente numa Abadia aparentemente sinistra. Ah, claro, a heroína da Jane Austen REALMENTE gosta romances, porque ninguém merece uma protagonista de romance que não gosta de romances, Jane faz questão de frisar isso. Eu morri de rir nessa parte porque, do nada, a autora muda de assunto para criticar autores de romances que desdenham romances em seus próprios romances! A Nanie (Deus lhe pague) me fez o favor de postar esse trecho na íntegra. LEIAM!  

Enfim, NUNCA mais subestimarei essa mulher. Se está com o nome "Jane Austen" na capa, QUERO LER!

Siga esse conselho!


terça-feira, 15 de maio de 2012

Sem Jeito

Preciso fazer uma revelação pra vocês e nossa amizade ficará abalada depois disso.

Acontece que depois que eu abri meu coração, maravilhado com a Jamie Sullivan, e mandei um recado para minha futura esposa, choveram comentários do tipo "Ai, que fofo", "Como você é gentil, romântico", "Príncipe Felipe" e eu deixei vocês viverem essa doce ilusão.

Mas eu sou uma farsa. Não sou - oh! - um príncipe. Tô mais para Shrek, com certeza. Ou Burro.
Sou uma pessoa MUITO esquisita, reconheço e confesso. Eu mesmo me assusto com certas atitudes minhas. A impressão que tenho é que nasci sem o menor senso de sociabilidade, sem tato para certas situações (ou todas). Muitas vezes insensível.
Já fiz vários testes na internet pra ver se sou um psicopata, mas todos deram negativo. De qualquer forma acredito que eu esteja quase lá. Eu simplesmente sou Sem Jeito. Juntando isso com uma sinceridade desenfreada, sou um monstro.
É difícil ser Sem Jeito num mundo onde todos tem jeito, porque o mínimo que as pessoas esperam é o básico das relações sociais. E um Sem Jeito não sabe nada de básico.

Teve uma vez que, na igreja, um colega meu estava chorando muito porque a avó dele havia morrido. Quando fui beber água, ele estava próximo do bebedouro. Entrei em pânico. O que se deve falar para uma pessoa que chora? Que conselho devo dar para alguém que perde a avó?

- Oi... Você quer que eu te console ou eu posso só beber água e dar meia volta?
- ...



Naquela época, essa minha pergunta soou completamente razoável, mas hoje eu vejo que... QUE HORROR! Ainda hoje não sei muito bem como eu deveria ter agido, mas com certeza deve haver uma maneira melhor que essa.
E quando encontrei um colega que não via há muito tempo, no metrô? Eu estava lendo algum livro muito interessante porque quando ele começou a me fazer diversas perguntas de praxe (E aí? Tá tudo bem? Como vai na faculdade? Tá indo para o trabalho?) senti um ligeiro incômodo. Depois que ele terminou o diálogo (Sim, eu respondi) pairou um silêncio constrangedor, embora eu soubesse que era a minha vez de perguntar as coisas (Das quais eu não queria saber a resposta). Só saiu isso:

- Se eu ficar sem perguntar nada e continuar lendo meu livro você vai se sentir constrangido?
- Er... Não.
- Valeu.

Agora me digam: ISSO É NORMAL? o.O
Pra fechar com chave de ouro deixo essa situação terrível em que agi desnaturadamente: Numa dessas festas juninas de rua, mandaram um "recado do coração" pra uma amiga minha. Esse recado é constrangedor. Alguém paga para o cara que está no palco ler um recado no microfone. geralmente é de namorado pra namorada, esposa pra marido, irmão pra irmão, pai pra filho e etc. Então, mandaram pra uma amiga minha, só que era fake. "Meu docinho sei lá de quê, amor da minha vida, você está muito linda com essa roupa tal e blábláblá". Ela, mais sensível impossível, ficou super irritada, descobriu os idiotas que tinham mandado o recado, bateu boca com eles e veio chorando me contar essa história toda. Vocês já sabem que tenho problema com pessoas que choram.

- Você sabe que nada do que eu disser vai mudar essa situação, né? Quer dizer, não posso fazer nada por você.



SE MATA! Me arrependo muito dessa última, mas juro que na hora achei bom deixar as coisas claras.
Eu adoraria defender minha inocência nos casos acima mas sou MUITO Sem Jeito. Devo ter sido criado em laboratório. Talvez eu seja alienígena. Ou um alienígena criado em laboratório! MEU DEUS! Tenham cuidado comigo e perdoem qualquer insensibilidade por parte desse que vos fala.

sábado, 12 de maio de 2012

Quebra de Confiança (Harlan Coben)

Essa verdade absoluta de que "só se começa pelo começo" cai por terra assim que você tenta acompanhar a série Myron Bolitar, lançada pela editora Arqueiro. Eu, por exemplo, comecei pelo segundo livro. Tem gente que começa pelo 10º o.O
Agora sim está tudo certo. Quebra de Confiança (Harlan Coben, 272 páginas) conta o primeiro caso de Myron Bolitar e une novamente o ricaço psicótico Win e a ex-lutadora de vale-tudo Esperanza Diaz.

Tenho que dizer que esse livro foi muito parecido com "Jogada Mortal", mas, provavelmente, por causa da ordem em que eu li, se tornou bem mais interessante. 
O clímax/anticlímax da comédia e tragédia continua, Myron sempre sarcástico fazendo piadas nas horas mais inoportunas possíveis! A aparição de mafiosos pra tacar terror no meio da história também está de pé, incluindo o final surpreendente (que dessa vez me enganou legal) que sempre marcou presença nos livros que já li do Harlan Coben.

Sobre matar aquela curiosidade sobre o começo de Myron Bolitar, esse livro não a satisfez. É o primeiro, mas poderia ser o 3º, o 10º, o 25º. É mais um caso sinistro que cai na mão do Myron envolvendo seus atletas, mafiosos e sexo (MUITO SEXO). Ainda ficamos com a sensação de que há algo antes, queremos saber do passado dele no FBI, queremos saber como ele tem tantos contatos, como é tão inteligente e como ainda mora na casa dos pais com mais de 30 anos, sendo rico a beça.

"Myron. Que droga de nome horroroso. Ele o odiava com todas as forças. Tinha nascido com todos os dedos das mãos e dos pés, não mancava, não tinha lábio leporino nem orelha de abano - assim, para compensar a falta de infortúnio, os pais lhe deram o nome de Myron"
Pág 89

"Sua mãe tinha quase 60 anos, mas parecia muito mais nova. Digamos... 45. E agia como se fosse muito mais nova, também. Digamos... 16."
Pág 89

As piadas nesse livro foram um caso à parte. O Myron zoa todo mundo! E o que foram as cenas da Esperanza alfinetando a Jessica descaradamente? Hahahah As duas não se bicam. Jessica é um affair do passado (mas sempre presente) de Myron, que o deixou para trás, jogando-o numa tristeza profunda. Esperanza, melhor amigA de Myron viu tudo isso e agora, sempre que pode, dá um jeito de implicar com Jessica, que voltou com a cara mais lavada do mundo. Ainda estou no aguardo de uma cena em que Esperanza dá um "boxe" na Jessica rs

"Esperanza entregou o café a Jessica, deu um sorriso misterioso e saiu. Jessica examinou a xícara.
- Será que ela cuspiu dentro?
- Provavelmente - respondeu Myron.
Ela pousou a xícara.
- Estou mesmo precisando diminuir o café"
Pág 41

Outra coisa que adoro nos livros do Harlan Coben é o cenário em que ele nos introduz. Talvez o submundo dos moradores de rua, crimes virtuais, a indústria das drogas... Dessa vez ficamos sabendo de diversos detalhes da indústria do sexo através de personagens envolvidos com pornografia, disque-sexo entre outras coisas mais preocupantes. Há também ótimas críticas à sociedade e ao governo.

Embora eu ainda prefira os outros livros do Harlan Coben que não pertencem a essa série tragicômica, acho que aqui há muito potencial (De risada e de suspense), até porque ficamos com os personagens por muito mais tempo. Fico com a impressão de que o próximo livro a ser lido (independentemente da ordem) será sempre melhor.
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